Dificilmente entro na hype para filmes da Marvel, com exceção de Os Guardiões da Galáxia, talvez, e não foi diferente para Vingadores: Guerra Infinita. Esse quê de ir para o cinema sem esperar "o melhor filme do ano" sempre me traz bons resultados, e hoje posso afirmar que acabei de assistir ao melhor filme do ano e o melhor filme dos Vingadores - pelo menos até agora.

Guerra Infinita é o terceiro filme diretamente ligado a franquia oficial dos Vingadores e tem toda aquela ligação de ordem cronológica que já estamos acostumados. A apresentação prévia de personagens como Doutor Estranho, Homem-Aranha e Pantera Negra em filmes solo e da equipe intergalática de Guardiões faz todo o sentido para este trabalho, que é sem dúvidas a maior reunião de heróis já realizada no cinema.


Essa galera toda e os Vingadores, ainda sofrendo com as consequências de Capitão América: Guerra Civil, possuem um objetivo em comum, derrotar Thanos, e é em torno disso que acabarão se reunindo, formando uma grande equipe que precisará enfrentar o maior desafio de suas vidas, inclusive colocando-as em risco.

Um dos meus medos para este filme era que o excesso de personagens em um único longa tornasse a narrativa difícil de ser acompanhada, mas, sem dar spoilers, posso afirmar que a Marvel conseguiu lidar muito bem com todos os heróis que colocou em cena. Thor e Feiticeira Escarlate, que sempre foram subestimados em produções anteriores, finalmente ganharam o merecido destaque, mas isso é tudo o que eu posso dizer.


O filme é ação, como esperado de qualquer blockbuster, ainda mais vindo de um filme de heróis com tal enredo a ser desenvolvido, mas com uma maestria impressionante ainda encaixa uma carga dramática muito forte, direcionada ao envolvimento de certos personagens com outros, as já sabidas mortes (não disse quais) e o desespero de se estar em um cenário apocalíptico. Eu nunca imaginei que choraria com um filme dos Vingadores, mas aconteceu e não me envergonho disso.

Homem-Aranha, Peter Quill, Mantis, Groot, Doutor Estranho, sua capa e até mesmo Thor, em meio às cenas de luta e ação, conseguem trazer um alívio cômico às cenas, fazendo jus ao "humor com selo de qualidade Mavel" do qual já estamos acostumados e, sinceramente, adoramos. Dá espaço ainda ao romântico, com os nervos a flor da pele entre as duas apaixonadas, mas nada de melação em excesso: o amor só fortalece a narrativa.


Em resumo, o filme está perfeitamente balanceado entre o divertido, o romântico e o dramático, não sendo nem uma comédia, nem um dramalhão cult europeu, muito menos um drama romântico coreano: é um filme com altos e baixos e emocionais, mas somente altos em qualidade.

A representatividade feminina e o girl power deste filme está tão afiado e bem produzido que renderá uma publicação apenas para analisar Guerra Infinita do ponto de vista feminista, mas já adianto o quão emocionante foi prestigiar o modo como o time feminino de heroínas desse filme são colocadas de igual para igual entre os homens. Nada de mocinhas que ficam só no background ou donzelas indefesas com o único intuito de formar pares românticos: temos verdadeiras heroínas que lutam de igual para igual em meio a predominância masculina.


O vilão é, sem sombra de dúvidas, o melhor construído até o momento e definitivamente representa problema dos grandes para nossos heróis preferidos. Thanos é profundo e tridimensional, possuindo, portanto, sentimentos e relações que também cruzarão o seu caminho durante a luta por seu objetivo, tirando aquela superficialidade vilanesca sem raiz, mas as fraquezas do gigante roxo embasa sua personalidade, suas ações e, sobretudo, sua força, o que é um ponto contra o time adversário.

Os efeitos especiais estão na medida certa: fazem um uso consciente de câmera lenta que colabora nos momentos mais expressivos da trama e personagens/cenários em CGI são bem feitos, como esperado. Nada a reclamar nesse sentido, mas também nenhuma grande novidade. O silêncio também é bem trabalhado em certas partes do longa e tudo coopera com sua narratividade. Nenhuma peça fora do lugar.


Quando o filme acaba, duas coisas ficam permeando seus pensamentos: a primeira é a de já começar a contagem regressiva para Vingadores 4, que dará continuidade a estes eventos; a segunda é a de contar as moedinhas para poder assistir Guerra Infinita nos cinemas novamente. Você vai querer ver esse filme mais de uma vez. Eu quero ver esse filme mais de uma vez. Cinemas, me aguardem. Estou preparada.

A cena pós-créditos também vem como uma grande bomba para os fãs do filme e só confirma um evento que já era esperado para o quarto filme da franquia, mas que ainda possui a capacidade de deixar a ansiedade a milhões por hora. Sério, falta muito para maio de 2019? Antes disso, entretanto, ainda teremos o filme do Homem-Formiga e Vespa em julho de 2018 e, em março de 2019, veremos a Capitã Marvel - e lembra o que eu falei sobre geralmente não ficar hypada com filmes da Marvel? Estou hypada para este. Socorro.

Só vem, Marvel.