Alice Pleasance Liddell nasceu em 4 de maio de 1852, em Westminster, Londres. Aos três anos de idade, conheceu Charles (nome de nascimento de Lewis Carroll), amigo de seu pai, enquanto ela participava de uma sessão fotográfica na qual Charles fotografou-a com suas duas irmãs. A amizade continuou e, posteriormente, Alice tornou-se objeto de inspiração para a personagem que hoje conhecemos como a protagonista de Alice no País das Maravilhas.

O enredo que viria a se tornar mundialmente conhecida surgiu oralmente em um passeio de barco que Lewis Carroll fazia com três filhas de Henry Liddell pelo rio Tâmisa, em 4 de julho de 1862. Durante a viagem, Charles que cresceu contando histórias aos seus dez irmãos, improvisou um conto fantástico a pedido das meninas em que Alice, sua preferida entre as três, era a protagonista.

Alice, aos sete anos, fotografada por Charles Dodgson (Lewis Carroll). 1860.
O autor usou elementos do cotidiano de sua vida e das garotas a fim de tornar a aventura mais familiar às ouvintes, incorporando, por exemplo, o coelho de estimação que elas possuíam, referência política ao relacionar a Rainha de Copas à Rainha Vitória e  até mesmo um excêntrico vendedor de móveis, Theophilus Carter, que viria a ser base para o Chapeleiro.

No fim daquele mesmo ano, transformou a história da garota que caía em um buraco em um pequeno livro sob o título "As aventuras de Alice debaixo da terra", que deu a Alice Liddell como presente de Natal. A ideia de publicar a história, entretanto, veio somente três anos mais tarde, quando releu o texto e alterou seu nome para “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas”, o que hoje é comumente chamado apenas por “Alice no País das Maravilhas”. Henry Kingsley, também escritor, sugeriu que Alice fosse publicado sem especificar se o texto era dedicado a adultos ou crianças. 

Aos dezessete anos, integrou o nono volume de Photo Poche, livro dedicado à produção fotográfica de Lewis Carroll.
A história se tornou um grande sucesso mundial e hoje é considerada uma das principais obras da literatura britânica e infanto-juvenil do mundo. Foi traduzida para pelo menos 174 línguas, adaptada para os mais diferentes formatos entre filmes, peças teatrais, histórias em quadrinhos, e-books, colecionáveis e objeto de estudo de literatura em escolas e universidades. 

Mas nem tudo são flores

Especula-se que, aos 20 anos de idade, Alice tenha-se envolvido romanticamente com Leopoldo, Duque de Albany, filho mais novo da rainha Vitória, que proibiu o namoro por Alice ser malfalada, embora gostasse muito da história que fora musa.

O duque casou-se com Helena de Waldeck e Pyrmont, com quem teve uma filha que nomeou de Alice. Alice, por sua vez, casou-se então com Reginald Hargreaves, com quem teve três filhos: Alan, Caryl e Leopold.

Foto escaneada do manuscrito original.
O manuscrito original de "As Aventuras de Alice debaixo da Terra" que a garota havia recebido como presente de Natal em 1982 foi vendido por ela durante a vida adulta, quando precisou de dinheiro para manter sua casa após o falecimento de seu marido. A cópia foi vendida por £15.400 e atualmente encontra-se guardada na British Library, a biblioteca nacional da Inglaterra.

Alice já não mais mantinha contato com o autor, que afirmara em seu diário que se lembraria dela para sempre "como aquela menininha de 7 anos completamente fascinante". Entretanto, a fama por ter sido a musa inspiradora dessa grande história nem sempre facilitou a vida da garota, que teve que lidar com as expectativas que a sociedade depositava nela, associando sua pessoa com a imagem da fábula.

O conflito rendeu o livro "Eu Sou Alice", de Melanie Benjamin, que mescla ficção e dados biográficos de Alice Liddell, que se sentia ingrata por estar cansada de ser enxergada como a “Alice do País das Maravilhas”.

Alice veio a falecer aos 82 anos em 16 de novembro de 1934, Westerham, Reino Unido.