Com muita competência e qualidade, o recém lançado live-action de "A Bela e a Fera" traz a magia do clássico animado da Disney de volta aos cinemas. Com direção de Bill Condon e Emma Watson, Dan Stevens e Luke Evans no elenco principal, somos apresentados a uma adaptação encantadora, significante e atual.

A história já conhecemos do início ao fim, poucas são as mudanças em seu desenvolver e em nada prejudicam o desfecho, muito pelo contrário, acrescenta à delicadeza e fascinação que esse universo mágico nos proporciona. Mesmo sem grandes alterações, apresenta certa contemporaneidade pela personalidade de Bela, que sempre fora avançada para a sua época, e Emma Watson representa bem a importância desse papel.


A "esquisita da vila" não pensava em se casar - apesar do pretendente ser, supostamente, o maior partido do local - ou continuar seguindo a vida que tinha naquela cidadezinha pacata. Bela mergulhava em livros e ensinava crianças a ler, queria viajar, conhecer a Paris que tanto ouvia falar, ser independente e feliz. 

Ao descobrir que o pai estava em perigo ao ser preso em uma cela em um castelo afastado, capturado por uma fera assustadora e má, não pensa duas vezes em oferecer-se a ficar em seu lugar apenas para garantir a liberdade e bem estar de seu velho homem, tão dócil e bondoso que metera-se nesta situação apenas por querer presentear a filha com uma rosa.


Mas, como sabemos, a tal "fera" nem é assim tão feroz, apenas fora encantada por uma feiticeira por um erro que cometera e, agora, ele e todos os moradores do palácio pagavam por este. A aparência feia e ações precipitadas como surtos raivosos escondem um coração bondoso, arrependido e que já perdera as esperanças de encontrar alguém que fosse capaz de amá-lo para, por fim, acabar com aquele feitiço cruel.

Com a ajuda dos objetos animados e simpáticos, Bela percebe que é muito querida naquele lugar e reconhece as qualidades daquele que já não era tão mau. Jantares dançantes, livros à mercê e uma boa e desajeitada companhia caminham para aquele final que tanto adoramos, mas os dramas e malevolências de Gaston e sua trupe de imbecis retrógrados trazem a ação que faltava nesse romance diferente.


O vilão continua egocêntrico e apaixonado por si mesmo e por seu topete horroroso, mas seu fiel companheiro, LeFou, carrega consigo uma novidade ao longa: a homossexualidade. Sempre ao lado do garanhão da trama, desenvolve por ele sentimentos platônicos que demonstra apenas em indiretas e meias palavras. Suas cenas trazem trazem um ar cômico por sua graça ao dançar, olhar e falar, mas o tema é tratado de forma tão sutil que todo o alarde retrógrado causado torna-se ainda mais desnecessário, enquanto sua presença faz-se cada vez mais importante, justamente a fim de "destabulizar" o assunto.


Comentando em nível de produção, cada pequeno detalhe mostra-se impecável. Cenografia, fotografia, coreografia, roteiro, trilha sonora, sonoplastia, casting, figurino, cabelo, maquiagem, efeitos visuais... a cada canto que se observe é perceptível o esmero que tiveram ao retratar a obra de 1991, muito homenageada principalmente nas canções e seus elementos mágicos, todos muito bem reproduzidos. 

Aos fãs desse conto de amor além das aparências físicas, um grande presente.