Sem muitas expectativas, fui ao cinema no último domingo (28) para assistir Nerve: Um Jogo Sem Regras, com Emma Roberts (Se Enlouquecer, Não se Apaixone) e Dave Franco (Truque de Mestre). Esperava um filme ruim, mas fui surpreendida. Já que mordi a língua, eis aqui uma resenha.

Você é um observador ou jogador? Essa é a pergunta inicial do novo jogo virtual Nerve, que desafia os jogadores em troca de dinheiro. Os observadores, além de assistirem, podem decidir quais são as tarefas a serem realizadas (ou não) pelos jogadores. Para sair, você pode desistir a qualquer momento ou falhar, mas o jogo deve ser mantido em segredo. Deduradores sofrem as consequências. 

Vee (Emma Roberts) sonha em ir para a faculdade, mas sua família está passando por um um momento complicado. Após discutir com sua melhor amiga Sydney (Emily Meade) ela decide inscrever-se no Nerve para provar sua atitude. Seu primeiro desafio é beijar um estranho por cinco segundos e, assim, conhece Ian (Dace Franco), outro jogador que passa a ser seu parceiro no jogo. 


Nerve é a adaptação do livro homônimo, escrito por Jeanne Ryan e publicado pela primeira vez em 13 de setembro de 2012. Em geral, o filme é um suspense tecnológico voltado para o público jovem, com situações absurdas e um plano de fundo mais real e cotidiano do que aparenta a olhar superficial.

Desde a imersão em jogos e suas consequências à adolescência frágil e insegura, Nerve passa por uma ascensão de riscos quais parecem ser ignorados pelos jogadores. O que começa inocente, como um beijo, pode tornar-se uma ameça à vida.

Apesar dos desafios serem exagerados ao extremo e em sua maioria impossíveis de serem executados em vida real, digo por mim que, da cadeira do cinema, senti arrepios e palpitações a cada nova situação encarada. Imaginar-me naquela cena fazia meu estômago embrulhar e meus olhos se fecharem de pavor pelo suspense causado.


Esquecendo um pouco da adrenalina, o filme também com a auto afirmação, assunto muito comum na adolescência. Vee sente-se na necessidade de provar para seus amigos que não é chata, rendendo-se então à febre do momento, confiando em si mesma e em Ian, deixando todos os limites de lado.

A causa disso foi sua amiga Sydney, a desinibida popular que enche a boca para falar de sua faca, mas que passa por momentos de extrema dificuldade apenas para manter sua reputação quando, na verdade, é tão insegura quanto a amiga a ponto de estragar sua amizade apenas pela falsa fama adquirida no jogo. 

Assim, acredito que essa seja a verdadeira crítica do filme. Até que ponto você é capaz de chegar, desafiando-se a si mesmo apenas para mostrar algo? Vale a pena se arriscar por isso ou estamos sendo superficiais demais? Esse "show" que damos diariamente realmente nos beneficia? Nossa imagem passou a ser tão importante ao ponto de deixarmos nosso "verdadeiro eu" de lado? São questões que vale a pena refletir.


Se Nerve realmente fosse lançado, você se arriscaria a participar? Seria um observador ou jogador? Até qual ponto você chegaria pelo jogo?