Quase um ano após assistir ao filme que mudou o modo eu que eu enxergava a minha participação na vida, resolvi dedicar meu tempo de viagem em van e ônibus a leitura da obra original literária de As Vantagens de Ser Invisível, do escritor americano Stephen Chbosky

Por meio de cartas, Charlie nos conta sobre seu cotidiano nos mínimos detalhes da intimidade e ao mesmo tempo com uma grande barreira, pois além das histórias contadas por ele, não sabemos nada mais sobre o garoto de 15 anos, como onde mora ou o seu nome verdadeiro, por exemplo.

Sim, é isso mesmo. Não, não é estranho. Para manter o anonimato, ele usa nomes fictícios para nos apresentar aos personagens que fazem parte de sua vida, incluindo ele mesmo. Porém, todos os fatos são contados de forma acurada.

Logo na primeira carta somos introduzidos ao histórico dele, com o falecimento de seu único e melhor amigo, Michael, suspeito de ter "problemas em casa". Mas afinal, o que são "problemas em casa"? Todos parecem ter problemas maiores que os nossos. Então, ele conta a nós sobre morte de sua tia Helen.


Mais do que apenas uma parente, ela era a pessoa que mais gostava no mundo. Seu falecimento ocorreu quando ele era apenas uma criança, mas é um trauma que carrega até hoje com acompanhamento psicológico. Sente-se culpado pela morte da tia.

Abrindo um parenteses, tem algo a mais no passado desses dois, o que é descoberto por Charlie apenas ao fim do livro. Se você já leu ao livro ou não se importa com spoilers, criei um arquivo a parte para falar sobre isso. Leia aqui.

Agora ele está entrando no ensino médio, o ritmo das coisas estão mudando e ele tenta mudar junto, participando de algum modo e livrar-se desses pensamentos que sempre trazem o choro à tona. Um professor. Uma música. Um veterano. Uma garota. Uma picape. Uma outra música. Um sentimento infinito.



Sam e Patrick sempre estão lá por Charlie, assim como vice-versa. Apesar do garoto ser bem fechado e tímido, os dois meio-irmãos o ajudaram a fazer sua socialização e lutar contra a sua depressão - apesar de, em nenhum momento, dizer com todas as palavras que este é o quadro em que se encontra. 

Para alguns, ele pode ser apenas um garoto bizarro que diz e age esquisitamente, para quem o conhece, sabe que ele é muito especial. Sua sinceridade ou mesmo a falta dela o trazem problemas constantes.

Sexo, drogas, abuso, rock 'n' roll, é uma leitura profunda. Mais profunda que o filme. Não estou dizendo que a versão cinematográfica seja ruim, muito pelo contrário, continuo amando-a, mas é ultra superficial comparado à quantidade de informações dispostas no livro. É extremamente maior, assim como a emoção.

Encerro essa resenha então com a minha recomendação, além de um agradecimento ultra especial pra minha amiga Thalia, a suprema que me emprestou esse livro maravilhoso. Obrigada, monamur!